sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Educação bilíngue

Olá, queridos!

           Li com tristeza na coluna da jornalista Cora Rónai, publicada em 02/01/14, em O Globo,  o desabafo de uma professora de inglês ao constatar que a matéria que leciona nas escolas estaduais será optativa. Fiquei estarrecida. O ensino do inglês sempre foi polêmico no Brasil sejamos sinceros. Há os que defendem que ao aprendê-lo estaremos esquecendo nossa cultura e nossa língua, e aí sim, seremos dominados de vez pelos ianques. Engraçado que ninguém usava os mesmos argumentos quando se ensinava francês na escola e quando o espanhol entrou como obrigatório, estas alegações não foram utilizadas. Francês e espanhol pode. Inglês, não. Entendi.

            Não gosto de inglês e sempre tive dificuldade. Comecei aprendendo-o em casa com meu pai, ouvindo fitas K7 da BBC e depois Cultura Inglesa, mas só fui aprendê-lo bem quando comecei a estudar...francês! Ao me depara com as intermináveis conjugações dos verbos franceses me dei conta de como era "fácil" (nenhum idioma é fácil) a língua de Shakespeare. Voltei a estudá-lo por minha conta, hoje somos bons amigos e até entrevistas de trabalho já fiz em inglês.

       
     Essa portaria é um retocesso para a educação. Aqui na Espanha onde a dificuldade com o inglês é notória discute-se o modelo bilíngue de escolarização. Isso mesmo.Desde os três anos, as crianças tem aulas em castelhano e inglês, exceto matemáticas e o próprio castelhano. Nas comunidades que possuem mais de um idioma oficial, como a Catalunha ou Valência, o modelo será trilíngue. Chovem críticas se o ensino é realmente eficiente, etc., mas ao menos vemos um esforço do governo ao estimular o fomento do aprendizado de idiomas e nao o contrário.


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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Futurologia 2014 Brasil e Espanha

Olá, queridos !

           
Basta de retrospectivas e listas de acontecimentos de 2013! Vamos ligar a bola de cristal e fazer um exercício de futurologia para o Brasil e a Espanha.

           





Brasil:

             - Copa do Mundo (com o título, espero!);
             - eleições
             - estádios da Copa do Mundo que não ficaram prontos;
             - mensalão e seus "condenados";
             - instalações da Copa superfaturadas;
             - Carnaval, Páscoa, festas juninas, etc.
             - Seleções chegando para a Copa
             - PIB caindo, políticos prometendo, prometendo, prometendo..;
             - A Copa !!!!!
             - Eleições: ai, meu Deus!
             - Fim de Ano: feliz 2015 rumo a 2016!

 Espanha:

             - Copa do Mundo (mas sem o título);
             - político prometendo que este será o ano da recuperação econômica;
             - seleção espanhola treinando;
             - discussão sobre o ETA;
             - discussão sobre a reforma da lei do aborto;
             - discussão sobre se a Catalunha vai ou fica;
            - discussão sobre a recuperação econômica;
            - discussão sobre a capacidade da seleção espanhola manter o título;
            - festa do padroeiro, festa da padroeira, festas de sempre...
            - A Copa !!!
            - mais discussões sobre o ETA e a Catalunha;
            - feliz 2015 !

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domingo, 29 de dezembro de 2013

Histórias da Pacificação

Olá, queridos !

        Em cartaz na Casa de América, a mostra fotográfica "Histórias da Pacificação". Fomos lá conferir as fotografias tiradas pelos moradores sobre a expulsão do tráfico e a ocupação da UPP no morro dona Marta e no complexo do Alemão. A exposição é bacana, bate uma saudade imensa, mas não tem muita explicação. Tivemos que salvar dois turistas italianos que não sabiam o motivo do  Michael Jackson ter uma estátua em uma comunidade no Rio. Igualmente traduzimos um aviso em português e discutimos um pouco sobre a validade desta política de pacificação pós-Olimpíada. Enfim, adoro ver coisas do Brasil aqui e explicá-las pros gringos e nativos. Cumpri minha missão!

     

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Por que a Catalunha não deve se separar da Espanha?

Olá, queridos !

       Aviso: este post é um pouco mais longo.

     Como vocês sabem há um movimento na Catalunha para se separar da Espanha e, finalmente, se constituir em um Estado independente e soberano. O presidente daquela região já convocou um referendo para 2014 O governo central avisou que tal evento não vai acontecer. E agora? Hoje publico algumas razões pró-unidade. Posteriormente veremos os argumentos dos separatistas.

                 Por que a Catalunha não deve se separar da Espanha?

Antes de tudo, um pouco de História (!!!). O artigo da Wikipédia ajuda:  http://es.wikipedia.org/wiki/Historia_de_Catalu%C3%B1a

Uma rápida explicação político-territorial:

- a Espanha se constitui em um Reino dividido entre comunidades autônomas. Quem é o chefe de Estado é o Rei Juan Carlos I e o chefe de Governo (aqui chamado de presidente e não primeiro-ministro) é, atualmente, Mariano Rajoy, do Partido Popular.
- Cada comunidade autônoma elege seu presidente. Mal comparando, as comunidades seriam o que entendemos por estados no Brasil, mas com muito mais autonomia. Aproxima-se do modelo americano? Um pouco, embora o povo daqui não se defina como federal.
Os modelos de eleição se repetem em nível central e regional. Ou seja: quem forma a maioria no parlamento, leva a presidência. Em nível central ganhou o PP de lavada. Já na Catalunha, a coisa foi mais complicada de dois partidos antagônicos, “Convergência e União” e “Esquerda Republicana” dividem o poder. Até quando?
- As comunidades autônomas, por sua vez, se dividem em cidades e deputações. Vou te poupar da explicação...

Agora, alguns avisos:
Nas ciências políticas, assim como na vida, tudo é um ponto de vista. Procurei colocar jornais de direita e esquerda, para que você tenha uma visão mais abrangente. Tradicionalmente, o partido de centro-esquerda, o PSOE, é mais pró-autonomia e o de direita, o PP, atualmente no governo, menos. Exemplo: a política educacional bilíngue foi feita pelos socialistas; enquanto os populares tentam agora desmontá-la.

Para complicar mais a vida, aqui na Espanha existem partidos regionais, que tem pouca ou nenhuma expressão nacional. O “Convergência e União”, atualmente na Catalunha, é um deles. Para completar está aliado a um partideco de esquerda, o “Esquerra Republicana”, cuja única semelhança com o primeiro é esta: lutar pela independência da Catalunha.
Igualmente há o problema do regime político. Como você sabe a monarquia aqui é muito contestada. Ainda mais agora que descobriram que o genro do Rei tem cara de bonitinho, mas é um tremendo pilantra. Quem deseja a independência quase sempre é republicano. Claro que tem as exceções de praxe que dizem que o sistema de governo será escolhido posteriormente, mas não achei nenhuma referência monárquico-independentista. Isso acontece porque o Rei é visto como um garante da unidade territorial espanhola e claro que isso seria incompatível com este projeto. De todas as formas a ideia não seria absurda porque, nos primórdios, a Catalunha tinha um soberano.


Ufa! Acho que podemos começar. Repetindo:

Por que a Catalunha não deve se separar da Espanha?

1-           Porque não é necessário.

A Catalunha já goza de uma importante autonomia dentro do estado nacional espanhol. Possui sua própria polícia, parlamento, calendário de eleições, sua forma de recolher impostos, um sistema educativo bilíngue, etc. Além disso, possuem hino, bandeira e dia nacional (a “Diada”, comemorada em 11/09) exclusivos também. A Catalunha, igualmente, tem representações diferenciadas dentro das embaixadas espanholas. Aliás, outras comunidades autônomas da Espanha têm quase as mesmas prerrogativas citadas acima.
As únicas áreas em que a Catalunha não tem competência para gestionar são a política econômica e a política externa. Na prática isso também vale para os estados nos EUA, por exemplo. Mas mesmo assim aqui há brechas nesta legislação. Tomemos um exemplo: a Catalunha não pode emitir moeda. O dinheiro se chama “euro”, como um dia se chamou “peseta”. E ponto final. No entanto, quem decide o que fazer com os impostos são os catalães e não é preciso dar contas ao governo central. Isso acabou com a crise e agora eles têm que dizer para onde vai (ou foi) o dim dim.
Em termos de política externa, a Catalunha não pode declarar guerra a nenhum país, não tem Exército próprio e voz em fóruns internacionais. Entretanto, como já disse, tem escritórios catalães dentro de algumas embaixadas espanholas. Igualmente, o Instituto Cervantes oferece aulas de catalão em suas sedes pelo mundo.
2-      Porque os cidadãos estão divididos.

Muitos pensam que a população da Catalunha apoia em peso a independência. Sim e não. De fato, há manifestações que reúnem multidões para reivindicar a independência, mas ano passado foi significativa a quantidade de catalães que saiu às ruas para mostrar seu desejo de continuar na Espanha. Uma pesquisa recente disse que 53% da população votaria pela independência. Eu acho pouco para uma decisão desta magnitude.


3-      Porque os cidadãos percebem que é uma manobra política:

Confesso que conheço poucos catalães, mas os 3 (sem conhecerem-se entre eles) dizem a mesma coisa: sou a favor da independência, mas não com esta classe política. Aqui na Espanha, os políticos não ficam nada a dever aos seus pares brasileiros em termos de corrupção e cara de pau. Muitos cidadãos percebem que a questão é manipulada pelos políticos que usam isso como argumento para ter mais concessões do Estado central.
Certa vez dei aula para um catalão, de Barcelona, e perguntei qual era a posição dele em relação ao tema. Ele foi enfático: quero a independência, mas não quero o Artur Mas como presidente da Catalunha.
Para outro, perguntei sobre a questão do ensino bilíngue (que o atual ministro da Educação quer diminuir). Resposta: isso é querela política. O catalão vai continuar a ser ensinado em casa, pelos pais, como tem sido nos últimos trezentos anos.
Aqui, na capital, os madrilenhos costumam balançar a cabeça e falar do assunto como se fosse um capricho de crianças. Aquela mesma cantilena “com esta crise que temos e lá vem esses catalães falando de independência de novo...”
Porém, não se engane. Tenho dois amigos brasileiros que estudaram e viveram na Catalunha e voltaram mais independentistas que o time do Barcelona.

4-      Porque é uma falácia o argumento de “opressão” e “exploração”.

Os políticos, assim como os historiadores, adoram as palavras e sabem usá-las quando lhes convém. Fala-se muito que a Espanha, o estado central, oprime a Catalunha desde a conquistada no século 18. Realmente suas instituições foram fechadas na época e o catalão reduzido à esfera privada; porém, o contexto era outro e aí sim, havia opressão.
 Na história recente isso era mais ou menos certo no final do século 19 e na época de Franco, que proibiu o catalão e demais símbolos catalães. Digo “mais ou menos” porque Franco restringiu à cultura local, mas agradou os empresários barceloneses e catalães com indústrias, bancos, incentivos fiscais, etc. Ditadores costumam ser arbitrários, mas não estúpidos.
Com a volta da democracia e a Constituição de 78, isso mudou. A região tem autonomia suficiente para fazer o que bem entende, usar todos os seus símbolos e idioma. Entretanto fica bonito colocar no discurso que “a Espanha nos oprime, nos explora, pobres de nós”, etc.

5-      Porque a União Europeia já avisou que não aceitará a Catalunha como Estado independente:

A UE não vê com bons olhos outro Estado formado a partir de uma cisão entre um Estado antigo. Por uma razão muito simples: apesar de a Europa estar “pacificada” há muitas regiões que não se reconhecem como pertencentes a uma nação. Ui! A lista é grande: Sérvia, Bósnia, Kosovo, Irlanda do Norte, Escócia, Itália do Norte x Itália do Sul, Alemanha Ocidental x Alemanha Oriental (sim, na prática ainda estão divididas), Bélgica, Ucrânia, etc. Se a União Europeia concede este direito à Catalunha, isso significa um apoio às outras aspirações nacionalistas. Não esqueça que a UE tem a obrigação de conceder ajuda econômica aos estados membros que se incorporam e não há tanta grana agora para fazê-lo.
A posição da França segue a mesma lógica: isso é problema dos espanhóis. Vocês que são brancos que se entendam...

6-      Porque a Catalunha não tem condições econômicas para se sustentar:

Quem injeta dinheiro quando eles precisam são a Espanha e, mais recentemente, a União Europeia. Várias das infraestruturas construídas ali foram financiadas com dinheiro da UE. Até aí nada demais, pois esse era um dos propósitos iniciais da UE. Aqui em Madri é muito comum ver no metrô “obra financiada com recursos do Fundo Europeu tal”. Fantástico. Todo mundo ganhou.


7-      Porque na Catalunha não vivem somente catalães:

Questão problemática: o que é um catalão? O que é um espanhol? Na Catalunha tem o povo que fala catalão, torce pro Barça, acha Barcelona melhor que Madri e etc. Mas também tem muita gente de outras regiões da Espanha, notadamente da Andaluzia e Galícia, que levaram sua cultura e língua também. Sim, porque existe o galego como idioma e o espanhol da Andaluzia eu considero também outra língua porque é o mais difícil de entender (brincadeira). Essa gente chegou lá nos anos 40, 50 e agora tem filhos e netos.

E agora? Quem é catalão? Nascidos na Catalunha? Com avós catalães? Essa gente toda vai virar “estrangeira” da noite para o dia? E como a Espanha vai tratar os catalães que moram nas outras regiões? Mistério...

Nota de pé de página:

Ao contrário do Brasil, aqui a nacionalidade é definida pela região de onde você vem. Nunca vou me esquecer de uma vez, dando a primeira aula de português para uma turma, com aquelas perguntas clássicas: “qual é o seu nome?”, “quantos anos você tem?” e “qual é a sua nacionalidade?”. A menina, de Badayona (pertinho de Barcelona), parou e me perguntou:

- Você quer saber de onde eu venho ou qual é a minha nacionalidade?

Gelei. Não é a mesma coisa? Não na Espanha.

Ao fazer a mesma pergunta para um aluno de um subúrbio de Barcelona ele foi mais sagaz:

- Aqui na Espanha eu sou catalão, mas nos Estados Unidos e no estrangeiro eu sou espanhol.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

¡Feliz Navidad!


Olá, queridos !!
A equipe de 3 do blog deseja a todos um Feliz Natal. Para isso deixamos com vocês imagens dos presépio montado pel El Corte Inglés da calle Serrano. Beijos !




domingo, 22 de dezembro de 2013

O parto

Olá, queridos!

           Finalmente publico o post narrando como foi o meu parto. Espero que ajude a todas aquelas que desejam fazê-lo naturalmente. Para ler a primeira parte basta clicar neste link aqui.

           Por fim, chegou o dia de conhecer a matrona (doula, em português). Minhas alunas me animaram bastante e todas disseram que tiveram ótimas experiências. Poxa, devo estar com uma urucubaca danada. Tinha milhões de dúvidas sobre o parto e mal sentei, ela já foi dizendo que se eu tivesse dúvidas sobre o nascimento, que esperasse o curso onde as perguntas seriam esclarecidas. Bem, respondi delicadamente que não tinha nada pra fazer ali, pois só tinha dúvidas sobre o tema. Conversamos um pouco mais e encerrei logo a conversa bastante chateada, mas pelo menos já tinha as datas dos encontros.

O curso, sim, foi o melhor de tudo. Logo na primeira aula, a matrona iniciou a explicação com uma frase que jamais esquecerei: “quem faz o parto são vocês, quem vai parir o filho são vocês. A matrona pode estar ali, segurar a mão, dançar uma sevillana, mas quem vai dar a luz, são vocês.” Caramba! Anos e anos ouvindo, “quem vai fazer seu parto?” arrasados em dois segundos. Sou EU quem vou parir, EU que vou botar no mundo uma criatura. Meu marido vai estar lá, claro, mas a responsabilidade é MINHA! Vou ser sujeito e não mera espectadora do nascimento do meu filho.

O curso está estruturado em cinco partes: as últimas semanas da gravidez, os diversos tipos e as etapas do parto, possíveis complicações, procedimentos burocráticos (registro de nascimento, licença maternidade, etc.), e pediatria/cuidados pós-partos. Na primeira aula já fizemos exercícios de respiração.

       Na semana seguinte, a professora tinha sido substituída por outra muito melhor. Ela foi informando como a gestante deve proceder; quais são os sinais que nos indicam que os trabalhos já começaram, contou o que pode dar errado e nos mostrou as soluções para cada caso. O mais legal é que ela sempre minimizava tudo. Se o bebê for grande? Já vi criança nascer de cinco quilos! Se o bebê não estiver encaixado? Pode-se fazer uma manobra. Se a bolsa não rompe? A matrona a fura. E se não tenho contração até a 40ª semana? Vá ao médico, mas dá pra esperar mais duas. E se não tenho dilatação? A ocitocina resolve. E se o bebê está encaixado, mas com o rosto virado pra cima? Dá pra reverter fazendo manobras na hora. E se nada disso der resultado? Aí, sim, faremos um cesárea. E por aí vai. Todas as verdades consagradas no Brasil eram desfeitas como mágica. Tudo que sempre escutei dizer que impediria um parto normal era reduzido a uma banalidade.

      Quando alguma gestante do grupo completava as 38 semanas, a matrona estimulava: façam exercício, sexo (por causa do sêmen), carreguem peso, tudo! Eu cumpri arrisca todas as recomendações. A reta final da gravidez foi parte mais chata para mim, pois já está tudo pronto e comprado e o baby lá dentro.

Enfim. Minha mãe chegou dia 21 e dia 25 andamos, fizemos compras, subi e desci escada. Quando fui dormir comecei a sentir um pouco de dor, mas até aí nada de novo porque pensei eram as contrações preparatórias, que já vinha sentindo desde o começo do terceiro trimestre. Mas como não conseguia dormir de jeito nenhum e o maridão já roncando comecei a pensar que a hora tinha chegado. Aí o acordei com o clássico: amor, acho que é hoje...
         
       Ficamos em pânico? Que nada! Seguimos o roteiro de esperar uma hora para ver se as contrações paravam ou se vinham de cinco em cinco minutos, se a bolsa tinha rompido, etc. Ou seja fizemos tudo que nos ensinaram. Quando o tempo regulamentar passou me arrumei, fiz a última revisão na minha mala e no quarto do baby. Ah! E ainda me lembrei de cortar minhas unhas ! 

Como não tinha dilatação suficiente, nem a bolsa tinha estourado tive que ficar na sala de espera  por duas horas para ver se o quadro mudava. Mas não pensem que era um lugar lotado e sujo. Ali tinham uns três pais ansiosos e uma gestante que estava com enjoos fortes. Como nada disso aconteceu, voltei para a enfermeria e a profissional que antendeu resolveu me encaminhar à sala de parto para que avaliassem a minha situação. Chegando lá a matrona que me acompanharia constatou que era melhor induzir o parto com ocitocina do que ficar esperando mais pela dilação. Depois me perguntou se iria tomar a peridural. Claro, minha filha, onde eu assino? Ela me entregou o termo de responsabilidade, assinei e fiquei aguardando. 

       Sempre tive certeza que tomaria a anestesia. Respeito e admiro que não a toma, mas achei melhor. Já estava me sentindo o máximo poder fazer o parto normal, não ter sido pressionada para fazer cesárea e resolvi encarar todos os riscos que esta anestesia pode trazer.

       Finalmente chegou o anestesista e tudo mudou. Pausa: este foi o único médico com quem tive contato, pois todos os outros profissionais eram enfermeiros ou matronas. Sei que tinha um médico ali para qualquer eventualidade, mas ele não fica presente durante o parto. Afinal, quem vai parir é a mulher e não o médico.

        Depois da peridural tudo mudou. Não sentia mais as contrações e pude relaxar. Aliás, a matrona nos recomendou que dormíssemos, pois o parto ia demorar. Antes de cochilar, meu marido e eu fizemos o que as pessoas do século 21 fazem para avisar os amigos: postei no Facebook que estava na maternidade e meu marido mandava SMS. Notem que ninguém sabia que estávamos lá, pois tínhamos ido para o hospital de madrugada.

        De tempos em tempos uma das matronas aparecia, me avaliava, perguntava como estava tudo. Numa dessas anunciou que meu filho estava com rosto voltado para cima; mas que não me preocupasse que ela tentaria revertê-lo me mudando de posição ou virando-o quando chegasse a hora. Quando ela saiu nos lembramos de que no curso tínhamos ouvido uma história parecida e nem ligamos. Continuamos conectados lendo as mensagens positivas que chegavam!

       Até que fui sentindo uma pressão grande e cada vez maior em direção à vagina. “É o seu bebê descendo” explicou a matrona “em breve ele vai sair.” Ai! O momento tão esperado aconteceu de repente quando uma tropa de dez pessoas entrou no quarto. Três enfermeiras e um médico para o neném, três matronas para mim, uma enfermeira para auxiliá-las e dois não-sei-quem para ficar vendo o parto, pois dei à luz em um hospital universitário.

        E aí foi lindo. A matrona-chefa me dando força, uma avisando quando deveria empurrar e a outra fazendo as manobras. Quando tentava recostar a cabeça, elas me animavam a tentar uma e outra vez. A enfermeira auxiliar tentou amarrar minhas pernas, mas recusei. Aliás, em momento nenhum troquei o português pelo espanhol. Ok. Devo ter dito um “Ai, meu Deus” de vez em quando, mas sempre mantive a consciência. Como não sentia nada (a peridural é eficiente mesmo!), o parto tem que ser narrado pelas matronas: tá chegando, um pouco mais, respira, mais um esforço, já vejo a cabeça, empurra. Concordo que fica parecendo jogo de futebol, mas convenhamos é um mal menor. Entre uma cirurgia e o Galvão Bueno, escolho o segundo sem pestanejar.
      
    Até que num esforço final, as palavras de apoio do maridão e com uma das matronas empurrando a minha barriga (manobra necessária por causa do meu cansaço e da peridural), senti algo que saía. Isso mesmo: senti algo. Fechei os olhos, dei um grito e quando terminei e abri os olhos, vi a coisa mais bonita do mundo no meu peito, todo pequenino, de olhos abertos e entendendo menos do que eu o que estava acontecendo. Dez minutos depois, as enfermeiras que eram responsáveis por ele o pegaram e o levaram para uma mesa ao lado da minha cama e fizeram os exames de iniciais. Depois me devolveram-no e não nos separamos mais.

      Em seguida dei o seio ali mesmo enquanto me limpavam e me davam alguns pontos. Pronto. Fim de festa ou melhor: começava a festa. Exausta, mas feliz. Missão cumprida. Meu corpo é capaz de parir e minha mente também. Sou mulher, estou preparada e posso fazê-lo desde que me ofereçam as condições adequadas. Agora, quando me perguntarem quem fez meu parto vou encher o peito e dizer:

          - Eu mesma: Juliana Bezerra. Prazer.




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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Museu da Cidade "Luis de Morales" - Badajoz

Olá, queridos!

       
Procuro visitar sempre os museus que contam a história da cidade que visito. Aqui em Madri tem o museu das Origens e lá em Badajoz, o museu da Cidade Luis de Morales. Supostamente, ali morou o pintor mais famoso da região, Luis de Morales e o objetivo é dar a conhecer as obras do filho ilustre e contar a história de Badajoz. Infelizmente terei que voltar lá para apreciar os quadros de Luis de Morales, pois o espaço dedicado a ele estava fechado. Mas a parte que conta a história de Badajoz é de chorar de alegria qualquer historiador ou aficcionado por estratégia militar

        Primeiro entramos pelas salas onde estavam vitrines com maquetes dos exércitos que lutaram para liberar a cidade dos franceses. Recriaram, em miniaturas, o assalto das tropas, as táticas, a retirada e, principalmente, a captura de Badajoz pelos ingleses. Tudo isso era narrado em off por gravações que explicavam os principais lances da contenda. O melhor de tudo, porém, é que o funcionário do museu resolveu completar a narração e se pôs a contar vários episódios pra gente.

       
Em seguida, há uma sala com uma linha do tempo onde se destacam os acontecimentos do mundo, da Europa, da Espanha e de Badajoz. Esta é convencional, mas não deixa de ser interessante. adiante uma seleção de especiarias e plantas que compunham os odores de Badajoz de outrora e você pode cheirar e soltar a imaginação !! Também é possível escutar os poemas que os árabes fizeram quando a cidade era dominada por eles.

       
Logo após encontramos o "Bosque de Silhuetas" onde os personagens ilustres que viveram ali em distintas épocas estão representados em uma espécie de bonecos giratórios. Você escolhe o personagem, o vira e pode ler sua biografia. Amei!! Ao lado, manchetes de fatos hstóricos dos jornais de outrora como a visita do rei Alfonso XII ou proclamação da República.

       Para finalizar, o mapa de Badajoz. Em um painel de comando você escolhe um monumento e um foco de luz incide sobre o mapa. Para completar nosso super guia foi ao nosso encontro e nos brindou com mais explicações. Melhor jeito de terminar uma viagem não há.