quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Profissão expatriadas: uma brasileira em Madri

Olá, queridos!

          Acordo e vou ler as notícias; aliás hoje não é mais necessário jornais. Os próprios amigos já se encarregam de comentar as manchetes nas redes sociais. Infelizmente, o assunto do momento é o ônibus incendiado na minha amada Niterói. Queria comemorar que fui entrevistada pelo site Brasileiros Mundo Afora, mas não encontro forças. Afinal, me decido e resolvo dividir com vocês esta vitória e assim contrabalançar o pesadelo de ontem. Dessa vez, o foco é meu trabalho de professora de português em Madri. Espero que gostem!

http://www.brasileiros-mundo-afora.com/2014/10/uma-brasileira-em-madrid.html

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Bahia é aqui

Olá, queridos!

     

Agora serei blogueira da revista Brazil com Z, aqui de Madri. Duas vezes por mês vou falar sobre cultura e arte produzida por brasileiros em Madri e na Europa. Começo com o supra sumo da baianidade: Carybé, Caymmi e Jorge Amado. http://www.revistabrazilcomz.com/a-bahia-e-aqui/

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Igreja de Santo Antonio do Retiro

Olá, queridos!

         
Mais uma igreja de arquitetura moderna visitada e fotografada: a de Santo Antônio do Retiro, sob os cuidados dos franciscanos. Infelizmente, não encontrei nenhuma informação sobre o templo e terei que investigar mais. Já tinha visitado esta igreja no inverno e a me pareceu tristonha e escura,  mas agora, no verão que se acaba, quanta diferença! Com o sol forte batendo em cheio pude admirar os vitrais, as capelas e toda simbologia que remete a vida do santo.










O vitral principal remete ao milagre dos peixes. Santo Antônio foi pregar em uma cidade e seus habitantes não quiseram escutá-lo, assim o religioso foi para a beira do rio e se dirigiu aos peixes, que colocaram a cabeça para fora e ouviram o sermão do santo homem.








Há capelas de são Francisco de Assis e, novamente vemos como o vitral foi usado para evocar os dias que o Pobre de Assis ficou nas montanhas rezando em companhia de um lobo. Ainda há uma capela dedicada a santo Antônio retratado classicamente: com um braço sustenta o Menino Jesus e com a outra, oferece o pão aos pobres. A terceira capela está dedicada a Nossa Senhora do Pilar.

sábado, 27 de setembro de 2014

Sete motivos pelos quais a Catalunha deseja separar-se da Espanha

      Dando prosseguimento ao nosso artigo sobre as razões que levam a região da Catalunha querer a independência. Antes vimos os motivos pelos quais a Catalunha não deveria separar-se e hoje, damos espaço para os que defendem a independência.


1- Porque a Catalunha já foi um Estado independente

    Apesar de se uma questão controversa, a Catalunha existiu como um Estado independente durante a Idade Média ou pelo menos uma parte do que hoje chamamos Catalunha. Bem, é certo que naquela época territórios pequenos tinham seu senhor feudal e sua moeda. Por isso, alguns alegam que a independência só está trazendo de volta aquilo que lhes pertence de direito. No mapa, a região que deseja a independência.



2- Porque os políticos da Espanha são corruptos.

    Os catalães acreditam que os políticos da Espanha sejam desonestos e os nascidos ali, não. Questão de opinião. Cá pra nós, não vejo muito diferença entre políticos brasileiros ou espanhóis, mas enfim...

3 - Porque muitos catalães não se sentem identificados com a cultura espanhola.

      Este é um debate acadêmico que poderíamos discutir horas e horas. Alguns catalães tendem a ver a cultura espanhola como a cultura de Castilla, do conquistador, posto que foi esta província que dominou as demais (lembram-se de Isabel, de Castela e Fernando, de Aragão, certo ?). Tudo que representaria esta cultura - touradas que foram proibidas recentemente, a bandeira e o hino - seria considerado "estrangeiro" naquele pedaço de terra, e portanto, não-catalão.

4- Porque os catalães tem seu próprio idioma.

        Muitas regiões da Espanha tem dois idiomas: o espanhol e a língua local. As escolas ensinam nos dois e a universidade também. Nas ruas da cidade é comum ver placas escritas nos dois idiomas. Isto é mais um motivo para mostrar o quão diferente os catalães são do resto da Espanha.




5- Porque a Catalunha se sente rejeitada pelo governo central.
    
     Talvez a principal queixa: financiação. A Catalunha alega que contribui mais do que recebe do governo central. Sente-se, assim, injustiçada porque aporta mais verba e não as vê retornar em seu benfício. Com a independência todos os recursos ficariam na Catalunha e seriam geridos pelos próprios resolvendo o problema.

6 - Porque a região é rica e estaria fora da crise se fossem independentes.

       Completando o anterior. Como se trata de uma região próspera, se estivesse sozinha não estaria enrolada na crise que o governo central, alegam, colocou toda a Espanha. Eles teriam a possibilidade de não ter entrado nesta ciranda financeira ou então, sair mais rapidamente.

7- Porque a Espanha atravessa uma crise política desde a Transição.

     Tem gente que não aceita a tese da crise econômica e afirma que a crise, na Espanha, é política, pois os pactos costurados com o fim da ditadura franquista estão sendo desrespeitados. São críticas que vão desde o regime monárquico até as competências que as comunidades autônomas devem ter. Assim, mais valeria constituir outro Estado a fim de sanar essas pendências.

Leia também: os sete motivos pelos quais a Catalunha não deve se separar da Espanha. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sete motivos pelos quais a Catalunha não deve se separar da Espanha

      Agora que os escoceses escolheram continuar unidos ao Reino Unido (piada infame, eu sei) todos voltam os olhos à Catalunha onde um referedum (ou uma consulta) será realizado no dia 9 de novembro. Nesta data, os cidadãos devem responder se querem ou não um Estado independente. Será que é realmente necessário ? Repasso algumas razões pelas quais não deveriam fazê-lo:
1-           Porque não é necessário.


      A Catalunha já goza de uma importante autonomia dentro do estado nacional espanhol. Possui sua própria polícia, parlamento, calendário de eleições, sua forma de recolher impostos, um sistema educativo bilíngue, etc. Além disso, possuem hino, bandeira e dia nacional (a “Diada”, comemorada em 11/09) exclusivos também.


       As únicas áreas em que a Catalunha não tem competência para gestionar são a política econômica e a política externa. No entanto, quem decide o que fazer com os impostos são os catalães e não é preciso dar contas ao governo central. Isso acabou com a crise e agora eles têm que dizer para onde vai (ou foi) o dim dim.


2-      Porque os cidadãos estão divididos.


      Muitos pensam que a população da Catalunha apoia em peso a independência. Sim e não. De fato, há manifestações que reúnem multidões para reivindicar a independência, mas ano passado foi significativa a quantidade de catalães que saiu às ruas para mostrar seu desejo de continuar na Espanha. (Abaixo as bandeiras da Espanha e da Catalunha)
 (Foto abaixo: ato contra a independência, em Tarragona, em 2014. Fonte: http://www.heraldo.es/noticias/nacional/2014/09/11/mas_000_catalanes_reivindican_senyera_como_puente_con_resto_espana_309591_305.html)






3-      Porque os cidadãos percebem que é uma manobra política:


 Aqui na Espanha, os políticos não ficam nada a dever aos seus pares brasileiros em termos de corrupção e cara de pau. Muitos cidadãos percebem que a questão é manipulada pelos políticos que usam isso como argumento para ter mais concessões do Estado central.


4-      Porque é uma falácia o argumento de “opressão” e “exploração”.


     Fala-se muito que a Espanha, o estado central, oprime a Catalunha desde a conquistada no século 18. Realmente suas instituições foram fechadas na época e o catalão reduzido à esfera privada; porém, o contexto era outro e aí sim, havia opressão.


      Na história recente isso era mais ou menos certo no final do século 19 e na época de Franco, que proibiu o catalão e demais símbolos catalães; mas agradou os empresários barceloneses e catalães com indústrias, bancos, incentivos fiscais, etc.Com a volta da democracia e a Constituição de 78, isso mudou. A região tem autonomia suficiente para usar todos os seus símbolos e idioma. Entretanto fica bonito colocar no discurso que “a Espanha nos oprime, nos explora, pobres de nós”, etc.

5-      Porque a União Europeia já avisou que não aceitará a Catalunha como Estado independente:


Se a União Europeia concede este direito à Catalunha, isso significa um apoio às outras aspirações nacionalistas. Não esqueça que a UE tem a obrigação de conceder ajuda econômica aos estados membros que se incorporam e não há tanta grana agora para fazê-lo. (Foto abaixo: ato contra a independência, em Tarragona, em 2014. 
Fonte: http://www.heraldo.es/noticias/nacional/2014/09/11/mas_000_catalanes_reivindican_senyera_como_puente_con_resto_espana_309591_305.html)





6-      Porque a Catalunha não tem condições econômicas para se sustentar:


     Quem injeta dinheiro quando eles precisam são a Espanha e, mais recentemente, a União Europeia. Várias das infraestruturas construídas ali foram financiadas com dinheiro da UE. Até aí nada demais, pois esse era um dos propósitos iniciais da UE.


7-      Porque na Catalunha não vivem somente catalães:


   E agora? Quem é catalão? Nascidos na Catalunha? Com avós catalães? Essa gente toda vai virar “estrangeira” da noite para o dia? E como a Espanha vai tratar os catalães que moram nas outras regiões? Mistério...


Este post é um resumo do artigo: "Por que a Catalunha não deve se separar da Espanha?"

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Estação Nuñez de Balboa

Olá, queridos!

           
Estou frequentando a estação de metrô Nuñez de Balboa, chamada assim em homenagem ao explorador do Pacífico. Não se vê muitas referências sobre a vida deste intrépido viajante, mas esta estação guarda um painel feito em tijolos de cerâmica coloridos. Num mesmo plano, como de uma obra futurista-modernista se tratasse, um porto com seus navios, mar, árvores, guindastes e trens para descarregar as mercadorias. Para muitos passantes, aquele porta já faz parte da paisagem; para mim que cheguei agora e venho de outros mares navegados, só estou começando agora a descobri-lo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Fundação Olivar de Castillejo

            
        Como já disse, Madri tem mais parques que seu ultra famoso parque do Retiro. Descobri - literalmente - um olival no meio da cidade grande. Opa? Olival ? Sim ! Eu sei que você acham, assim como eu pensava, que as azeitonas nasciam nas latas ou nos vidros. Não! Elas nascem em árvores chamadas oliveiras. Vocês sabiam disso? Eu só descobri aqui... Falando sério: para vocês terem uma ideia, a Espanha é o país com maior área plantada de oliveiras no mundo.



Em 1917, José Castillejo, professor de Direito Romano, pedagogo e intelectual, resolveu viver nos arredores de Madri e adquiriu a plantação. A cidade cresceu - para vocês se localizarem o olivar fica perto do estádio do Real Madri - e o que era uma forma de viver um pouco afastado da agitação urbana acabou se tornando um oásis no meio dos elegantes prédios do bairro. No terreno ainda se encontra a sede da Fundação onde se realizam exposições e concertos. No dia em que visitei a pianista Patrizia Prati interpretava Chopin e Debussy e havia uma exposição de obras do artista Domingo Álvarez Gómez e Aurora Puche.

E o jardim ? Ah! Além das oliveiras temos romãs, roseiras, margaridas e almendros. Os herdeiros conservaram a tradição de manter livre o entorno das árvores para que outras espécies pudessem se desenvolver. É possível caminhar pelas trilhas sem estragar as plantas. De quebra, há obras de Antonio Diaz García espalhadas ao longo da propriedade.O único defeito do lugar é sua localização. Escondido em uma rua pequena e ainda por cima com uma única portinha. Enfim. Valeu a pena!