quarta-feira, 5 de junho de 2013

Violência contra a mulher no Brasil e na Espanha

Olá, queridos!

        Viver em outro país alarga os horizontes muito mais do que nossa vã filosofia é capaz de imaginar. Algo que sempre me chamou atenção aqui na Espanha é o tratamento dispensado à mulher. Longe de ser um país igualitário como os vizinhos nórdicos, mas bem mais a frente do país tropical, saltam a vista algumas diferenças báscas.

         Primeira: homem aqui não vira a cabeça e olha pra bunda da mulher depois que ela passa. Não emite opinião sobre a anatomia feminina. Quando olha, faz isso discretamente, sem aquela sensação de estarmos sendo escaneadas e avaliadas tal qual gado. A gente fica se achando feia no começo, mas aí se dá conta como é vista como mercadoria exposta na feira no Rio e na cidade além da ponte.

         Segundo: agressão contra a mulher tem nome e chama-se violência machista. Não há delegacias especializadas, mas todo caso de assassinatos de mulheres por seu companheiro é noticiado com destaque no jornal. Dependendo da cor local do partido, as campanhas de proteção à mulher são intensificadas e agora, com a direita, estão mais discretas.

         Terceiro: a resposta da sociedade. Dizem que brasileiro é generoso e solidário. Sim e não. Vou ilustrar com um caso que aconteceu neste fim de semana, em Bilbao e compará-lo com o estupro sofrido pela americana em março no Rio de Janeiro.

           Na cidade espanhola, um suposto mestre de kung fu contratou os serviços de uma profissional. Notem: mulher, prostituta e negra. Talvez seja um dos grupos mais desprezados da sociedade, concordam? Pois o homem a obrigou à ir na academia, a torturou, mas por sorte foi denunciado. A polícia a encontrou incosciente e bastante machucada. O homem foi preso e também foram achados restos de outra mulher assassinada por ele. O que a prefeitura de Bilbao fez? Reuniu-se hoje nas escadarias da prefeitura, ao meio-dia, para mostrar sua soliedariedade com a vítima e repudiar o ataque. Infelizmente, a mulher faleceu pouco depois no hospital.

            Fico pensando naquela estudante americana. Não sei porquê, sempre penso nela. Talvez porque já fiz muito o trajeto Niterói-Copacabana de van, porque o itinerário incluía a ponte ou porque ela simplesmente lhe aconteceu a pior tragédia que uma mulher pode passar. O que mais me deixou revoltada é que nem no facebook as pessoas protestaram. Entendo que a rede social não serve para quase nada, mas lembram da cachorrinha torturada em Goiás? Semanas e semanas de posts sobre isso.

            Sei que o prefeito do Rio fez lindas declarações pela TV, mas todo mundo sabe que se deveu mais à nacionalidade dela e a repercussão internacional que soliedariedade. Igualmente penso naquela garota de 12 anos que foi estuprada em um ônibus no Jardim Botânico (Zona Sul. Ooooooh!) e em outras mais que nem sequer nos comovemos. E o que os cariocas fizeram por elas? Aposto que mais de uma pessoa ainda pensou que essas meninas provocaram os homens com saias muito curtas...
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