terça-feira, 11 de março de 2014

10 anos do 11 de março de 2004

Olá, queridos!

       
 Uma das discussões mais caras a todos historiadores é a relação entre memória e história, o que merece ser esquecido (por quê e por quem), o que deve ser lembrado, etc. Basta olhar os monumentos - provas materiais oficiais da memória - da sua cidade e você terá a reposta. De quem são as estátuas que enfeitam as ruas: reis, políticos, generais, líderes? Escritores, inventores? Quantas mulheres, negros, índios estão nas praças ou são nomes de rua?

           Hoje se completa dez anos do maior atentado perpetrado na Europa. No dia 11 de março de 2004, 191 pessoas perderiam a vida ao explodirem bombas nos vagões de trem em que viajavam. Conheci bem o caminho porque morei em Alcalá de Henares, de onde partiram os quatro trens que suncubiriam aos irracionais assassinos. Fiz milhares de vezes o mesmo trajeto das vítimas, muitas delas saltaram em Atocha, provavelmente para fazer baldeação com outro trem, ônibus ou metrô, assim como eu fazia. Confesso que me dava medo, claro, mas a vida segue adiante, tal qual os sobreviventes nos ensinam.

           Nestes dez anos vários monumentos foram inaugurados para que não se esqueça a tragédia, músicas foram compostas, escritores se inspiraram naquele epsódio e todos os anos diferentes atos marcam a data. Por ser um aniversário redondo, a agenda está cheia, com missa solene na catedral, exposições no Instituto Cervantes, no centro cultural Casa de Vacas (Retiro) e no CentroCentro, concertos no Auditório Nacional e muito mais. Isso tudo é um paliativo, apenas um lembrete incômodo, um pedido de justiça silencioso para que não sejam esquecidas as vítimas que partiram, mas especialmente, não sejam esquecidas aquelas que ficaram.

Para ver os monumentos erigidos em Madri que marcam o atentado acesse: http://www.rumoamadrid.com.br/site/11-de-marco-as-recordacoes/

         
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