sábado, 4 de outubro de 2014

Um primeiro dia na creche em Madri

Olá, queridos!

       
Chega pra todo mundo e chegou para mim. Melhor dito: para nós. Enfrentei o tal do primeiro-dia-na-creche. Confesso que estava mais nervosa que o pimpolho, mas tentando difarçar. Afinal, uma amiga querida me aconselhou a demonstrar confiância em entregá-lo ao professor, pois se nem os pais confiam nele, como a criança o fará?

      Tudo estaria bem se não fosse um pequeno detalhe: aqui, em Madri, as creches não fazem a adaptação com os pais. Desde o primeiro dia você deixa o seu filho sozinho na sala de aula. Hein ?? Quase infartei! Já não me bastava a novidade de um homem ser o professor titular do pimpolho vou ter que jogar meu filho às feras desde o primeiro dia ? Tentei explicar isso para a diretora e até ensaiei um "será que a senhora não poderia dar um jeitnho", mas ela foi irredutível.

       A explicação é simples: se um pai ou mãe ficassem lá, todas as crianças iriam querer que os pais delas também estivessem ali. Segundo essa teoria, quanto mais os pais ficam, maior será o sofrimento da criança. Contei isso para uma amiga belga e ela disse que na terra dela também fazem deste modo. Achei uma crueldade sem fim, mas que vive fora do país tem que se adaptar a tudo. Para ambientá-lo, levei o pimpolho a uma biblioteca infantil para que ele se visse cadeirinhas, livros e interagisse com outras crianças.

      Chegou o glorioso dia. Estava nervosa, mas disfarcei bem. Controlei-me o tempo todo para não chorar e consegui. Quando o levamos para a sala, várias crianças gritavam e meu olho encheu de água. Por sorte, meu marido colocou o pimpolho perto de uns brinquedos e ele se distraiu. Fui me despedir e saí arrastada para não chorar na frente dele.

       E para o pimpolho? Como foi a experiência ? Segundo o professor, ele não chorou, o que é normal para muitas crianças.No segundo dia, ele ficou mais uma hora, almoçando lá. Chorou um pouquinho, mas ficou bem. Foi assim toda semana até que um mês passou. Agora, ele está indo bem: chora quando o deixamos, mas em seguida para, dorme toda a siesta e não quer voltar para casa quando o buscamos. Sobrevivemos.
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