sexta-feira, 31 de maio de 2013

A preparação para a chegada do herdeiro

Olá, queridos!

       Agora que vou iniciar a minha suposta licença maternidade espero ter mais tempo para escrever. Ao menos até que chegue a cegonha com a encomenda!! Por isso vou contar como está sendo a preparação para o parto e ser mãe na Espanha.

                Já o curso de parto está ótimo!! Agora sim! São seis encontros de duas horas cada (!!) dados por uma matrona. Excelente. Além das explicações sobre trazer o rebento ao mundo teremos "aulas" sobre os cuidados com o baby, procedimentos burocráticos e também sobre o pós-parto. Estou muito animada e realmente agora entendo porque no Brasil não se faz isso.

          Primeiro, o óbvio. Alguns (leiam de novo "alguns") médicos querem ganhar dinheiro fazendo cesareias; mas só isso não justifica. Como disse uma aluna minha, os países da América Latina copiaram o pior da modernidade. A onda de partos cirúrgicos veio dos EUA nos anos 70 e segue em voga no nosso continente. Engraçado, porém, que os EUA já superaram essa fase e agora promovem o parto natural ou humanizado. Já em terras tupiniquins...

            Segundo: a mudança de paradigma. Não é porque sou mulher que já nasci com todas as informações de como saber parir. Em nível corporal e inconsciente (vai que um psicólogo está lendo isso) isto é certo. Porém, como tudo na vida, dar à luz também se aprende, oras! E porque não mostrá-lo à mulher e ao companheiro? No Brasil, não há escolha. Explico: ou é cesareia ou "se der" parto normal. Como assim "se der"? Em quais condições? Como vou saber se "vai dar" se ninguém me explicou que raios é uma contração?? Na boa: vocês sabiam que o "parto" em si é dividido em 3 fases?  Que nem todo o parto é dolorido? Que dá pra esperar até a semana 42? E aí vem o sentimento de culpa feminino que "tenho que saber tudo desde que nasci..." Não é contraditório? A mulher sempre é cobrada, mas quase nunca ninguém lhe ensina nada.

            Entretanto, para isso, seria preciso mudar todo o sistema de saúde privado e público. Vou falar  do público, pois é este que estou vivendo. Como já disse, as grávidas são dividida em gestações de  risco e sem. Você faz suas consultas com um profissional que NAO será o mesmo que realizará seu parto. Só isso deixaria a classe média brasileira em pânico. No entanto, entra o fator confiança: todo profissional é bom e preparado, não importa o nome do fulano.

             Segundo, preparação. Encontros com a matrona e curso de parto. Simples, não? Mas quem banca isso? O Estado. Ah, tá!

             De novo, volto a repetir, ninguém é obrigado a fazer parto natural, mas a mulher é aconselhada a tentá-lo. Se existe risco, marcamos o dia e beleza. O mais engraçado, agora que meu barrigão deixa claro que vem um niteroiense-madrilenho, são as mulheres compartilhando a experiência. Quem faz cesareia fala disso com tristeza e até com vergonha. È muito engraçado!! ("Engraçado" no sentido que isso não existe na terra de onde eu venho. Cesareia é coisa tão normal quanto ir à praia em dia de sol).

             Ontem, enquanto estava esperando a senhora doutora, um grupo de vovózinhas me explicavam como era parir antigamente. E sobraram as frases de "no meu tempo não tinha essa modernidade de curso de parto e matrona...". "No meu 'pueblo' nem tinha hospital..." ou "Essas mulheres de hoje já pedem injeção...", etc. Ai, minha senhora! Se lhe contasse como é em Pindorama...

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