quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tchau !

Olá, queridos!

           É...ninguém esperava, mas aconteceu. A pior previsão possível: a campeã do mundo eliminada agora, na primeira fase. Tsc,tsc. Quem sou eu para discorrer sobre tática, a canalhice do Diego Costa e das falhas do Casillas. Pensando friamente, até prefiro que seja a Holanda e o Chile que tenham feito o trabalho sujo. O que seria de mim se a Espanha tivesse sido eliminada pelo Brasil ?? Pois então...Foi bonito. O pessoal tinha esperança, bandeiras na janela e movimento nas rede sociais. Porém sabemos que para ganhar uma Copa é preciso mais. Será que está se consituindo uma nova escrita "a maldição do título"? Como a Itália em 2010 ? A França em 2002? Se essa moda pega...

PS: Engana-se quem pensa que a Espanha não gosta dos brasileiros. É tradição aqui torcer para o Brasil quando La Roja é eliminada.

PS2: Ninguém chama a seleção de Fúria. É La Roja. Mas tudo bem. Eles insistem em nos chamar de "canarinha".

domingo, 15 de junho de 2014

Dança típica: jota

Olá, queridos!

     
  Voltando para casa, felizes e contentes, passamos em frente a Igreja da Imaculada Conceição. Vimos um grupo de músicos e cantores com trajes típicos e já fomos parando e perguntando para os locais o que ia acontecer ali. O Bispo de Zaragoza rezaria a missa àquela hora e para recepcioná-lo, a paróquia convidou os conterrâneos  da Casa de Aragón, de Madri, para presenteá-lo com um jota, uma dança típica daquelas terras.


www.rumoamadrid.com.br


A jota - valei-me são Google - é executada em pares ou grupos de homens e mulheres, com castanholas, acompanhados de músicos e cantores. Para quem nunca tinha visto o baile foi um presente maravilhoso tê-lo assistido de uma forma tão espontânea, no pátio de uma igreja, ao lado de uma figura ilustre e num dia glorioso de primavera. Confiram a habilidade dos dançarinos:


sábado, 14 de junho de 2014

Encontre-se com o México...em Madri.

Olá, queridos!

       
Já falei pra vocês que adoro Madri ?? E que adoro caminhar pelas ruas madrilenhas porque você sempre encontra uma exposição bacana. Numa dessas andanças pela plaza de Colón demos de cara com uma mega exposição do governo mexicano para promover o turismo do seu país entre madrilenhos e a gringalhada que toma de assalto à cidade. Inaugurada pelo presidente Peña Neto dia 8, a mostra fica em cartaz até o dia 22 de junho.











Antes que alguém pense "que absurdo um país subdesenvolvido fazer uma coisa dessas", saibam que a mostra mesclava artesanato tradicional com obras artísticas, trailer servindo comidas típicas e uma lojinha com produtos mexicanos. Sem falar que em vários painéis publicitários há cartazes sobre o país. Nada que lembrasse o típico turismo praieiro. Gostei, pois saiu do esteriótipo.











Ali perto, na calle Serrano, descobri uma exposição patrocinada pelo Banco Popular de fotos de atletas espanhóis que são apoiados pela entidade. Temos lá o nado sincronizado - medalha de bronze nas Olimpíadas - lutadores e a seleção de futebol. Aliás, deles são as fotos mais bonitas com o inesquecível gol do Iniesta e a comemoração ao receber a taça. Muito oportuno para hoje.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Minha primeira Copa longe do Brasil

Olá, queridos!

       Começou. Teve abertura pífia, vaias, torcida cantando o hino além da gravação (emocionante), xingamentos (desnecessários) às autoridades, gol contra e pênalti roubado...para nós. No primeiro dia, a Copa no Brasil já rendeu tantos assuntos que se ela fosse acabar hoje estaria de bom tamanho. Mas queria relatar como foi assisitir ao jogo longe de casa.

          Bem, foi horrível! O pimpolho estava com piriri e assim tivemos que desistir de ir a um bar ver a partida. Além de ter que segurá-lo o tempo todo tínhamos que nos revezar para trocar fraldas perfumadas. Gritar para comemorar o gol ou insultar o Marcelo, nem pensar, pois ele se assusta. Tava difícil acompanhar uma jogada inteira. O curioso é que vi perfeitamente que NÃO foi pênalti, que era apenas o próprio Fred querendo se virar para dominar a bola. Mas o árbitro quis agradar os parentes dele que vivem em São Paulo e deu no que deu...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vai ter Copa.Ao menos na Espanha!

Olá, queridos!

     
Eu não sei vocês, mas nunca embarquei nessa de "não vou torcer para seleção brasileira por causa da corrupção". Ah! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Ainda mais que estou aqui, na casa dos atuais campeões do mundo. Não queria a Copa, a roubalheira e todo o entorno, mas daí a quererem tirar o orgulho de torcer para meu país ? Heim? Nada disso! Tinha cinco anos quando pintei o "Laranjito" na rua, vibrei em 94 (meu primeiro título), quase infartei com os três do Zidane, mas estava em Paris em 2002 rodeada de franceses e sofri com o meião do Roberto Carlos. Rumo ao hexa, gente!

     






 Em Madri, aos poucos, o comércio se veste de vermelho e amarelo. Como a publicidade aqui é muito discreta só agora as vitrines exibem produtos relacionados ao Mundial. Os bares enfeitam suas janelas com bandeiras e avisam que vão transmitir o jogo. Quanto à imprensa não TV e jornal que não tenha preparado seu caderno especial.

       Porém, o mais curioso se deveu na esfera política. Como vocês sabem, o rei abdicou e queriam entronizar o herdeiro dia 18. Pensei imediatamente: nesse dia tem Espanha e Chile! Ou a Espanha é uma país muito civilizado ou realmente ninguém se deu conta. Passados alguns dias, vem a nova data: a cerimônia será dia 19. Ufa! Ainda não sei o motivo da troca, mas tenho certeza que alguma alma iluminada deu uma olhada no calendário.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Esculturas da praça de Colón

Olá, queridos!

     
Incrível como não havia postado nada sobre duas esculturas emblemáticas de Madri: a Mulher com Espelho, do colombiano Fernando Botero e Herón, do espanhol José Luis Sánchez. A primeira é uma daquelas figuras enormes e volumosas típicas de Botero que exaltam a figura feminina com todas as suas curvas. esta obra foi presenteada pelo escultor à cidade de Madri em agradecimento a acolhida que teve a exposição que foi realizada aqui na década de 90. Não há turista que não faça fotos mais ou menos impublicáveis junto aquela mocinha de bruços que se contempla com um espelho...

       





A outra está aos pés das Torres de Colón e foi encomenda pelo arquiteto da construção. Trata-se de uma obra abstrata, batizada de Herón uma das empresas que ocupava o edifício. Aliás, José Luis Sanchéz deixou obras em igrejas que foram erguidas nos anos 50 e 60; no museu de escultura ao Ar Livre de Alcalá de Henares e igualmente na sua Almansa natal onde há um museu ao ar livre que leva seu nome.

terça-feira, 3 de junho de 2014

O Rei abdicou. E agora?

Olá, queridos!

            Todos já estão sabendo. Sua Majestade, o Rei dom Juan Carlos I, abdicou do trono espanhol a favor do seu filho, Felipe. Parem as rotativas!! Um anúncio que surpreendeu a todos, pois em várias ocasiões ele tinha declarado que só sairia do cargo quando morresse. O que teria feito o monarca mudar de opinião? Por que parte dos espanhóis saíram às ruas para pedir um referendum onde pudessem escolher a República como regime de governo e não uma monarquia? Vou tentar responder essas e outras perguntas dando a visão dos que são a favor e contra o soberano.

          Primeiro, um pouco de aula de História. Adoro!! Afinal, sou professora desta matéria, esqueceram ? Corria o ano de 1931 e a Espanha estava um caos, como o resto da humanidade. O rei da época, Alfonso XIII é derrubado e sua família real é exilada em Roma enquanto a República foi proclamada na Espanha. Ali estava Juan de Borbón e Batenberg, pai de Juan Carlos, que nasceria no exílio em 1938. Ele nunca chegou a ser rei de fato, mas foi rei de direito.

           Bem, em 1936, Franco e sua turma acharam que os republicanos já estavam há muito tempo no poder e foram tentar derrubá-los. Três anos de guerra civil, cidades destruídas, corpos que nunca foram encontrados e muitas injustiças depois, Franco vence e instaura a ditadura que duraria até 1975. Franco nunca escondeu que não gostava de Juan de Borbón, mas o filho, quem sabe ? O menino vai estudar na Espanha sob sua supervisão e depois de muito percalços, Juan Carlos acaba sendo apontado como sucessor de Franco.


       
           Juan Carlos, príncipe da Espanha, começa a encontrar-se com representantes de todos os setores - inclusive os clandestinos como os partidos socialista e comunista - para garantir sua posição. Vem daí seu trabalho de ser um fiel da balança e tentar conciliar as diferentes visões deste novo país. Sem falar na questão separatista! Os grandes partidos de esquerda e direita entram em acordo e pactam que o regime da nova Espanha democrática seria uma monarquia parlamentarista, Juan Carlos ostentando a coroa.

             Aí que vem o nó da questão. Quem é contra diz que a monarquia foi imposta e encarnada por um discípulo de Franco. Quem é favor diz que ele foi, sim, educado por Franco, mas desmontou peça por peça o regime implantado por este.

            Então, sem consulta popular, sem referendum, apenas com a voz dos deputados, foi instaurada a constituinte, e se começa o regime monárquico parlamentarista. Outra crítica a este fato. Os republicanos alegam que o povo não foi ouvido e que tem direito a expressar sua opinião.
Por isso, ontem eles foram às ruas em várias cidades da Espanha e pedir que se realizasse uma consulta popular.  
       

            Pausa para um pequeno parelelo. Gostaria de lembrar que aconteceu algo semelhante no Brasil quando a ditadura militar terminou. Um deputado colocou em votação uma proposta para escolher o presidente por eleições gerais. O movimento ganhou corpo e passou à História como Diretas-Já. Milhares foram as ruas, mas os militares (e os civis que colaboraram com o regime), derrotaram a emenda. O presidente foi escolhido no Congresso, Tancredo e Sarney foram eleitos e o resto vocês já sabem... Mas, nunca, naquele período ou atualmente foi dito que a atual República foi herdeira dos militares e que havia um discípulo deles lá. E olha que vocês conhecem de onde vem o maranhense.

          Já comentei sobre as dificuldades que o rei atravessava ultimamente em um post. O genro bonitinho, mas ordinário; caçadas na África (patrocinadas com dinheiro privado) e problemas de saúde. No mais, a crise econômica espanhola e o espinhoso referendum unilateral da Catalunha.

          A renúncia de dom Juan Carlos me lembra outra renúncia, a do Papa Bento XVI. Diante dos problemas que se delineavam no horizonte, o pontifície reconhece que não tem energia e nem habilidade para lidar com eles. Quantos presidentes da República fizeram isso ? Quantos diretores de empresas ? Quantas vezes você já fez isso? Ah, o poder! O mais eficiente dos afrodisíacos segundo dizem por aí. Não é coincidência que todo presidente tenta a reeleição e quem chega lá em cima esquece que está aqui embaixo.

         Embora a crise econômica esteja cedendo, a Espanha agora enfrenta uma crise política. O bipartidarismo vem sendo questionado nas últimas eleições e os partidos pequenos e não tradicionais começam a conquistar espaço. Além disso, há o referendum para saber se os catalães devem ou não ser um Estado independente em novembro e todo o barulho que os republicanos estão fazendo a respeito do regime político espanhol. Felipe VI terá um longo caminho pela frente.